Pra mim não existe nada que mais me engrandeça a alma e o espírito quanto ler um livro, e "A Gárgula" apesar de um romance não muito conhecido me revelou coisas que jamais conheci antes na literatura.
Sempre afirmei que o sofrimento engrandece o espírito, mas viver as experiências junto com narrador do livro, ser o narrador da historia me fez sentir o que o sofrimento vivido proporciona como crescimento a uma alma descrente.
Afirmo com tanta veemência que vivi a historia com o narrador porque Andrew Davidson, o escritor, brilhantemente não dá identidade ao narrador. Ele tem historia, tem carreira e vida, não convencionais, claro, mas a tem como qualquer outra pessoa que tem sua própria não-convencionalidade no histórico. Porém ele não tem nome.
Não é um personagem comum com o qual qualquer pessoa pode identificar aspectos impessoais da própria vida, mas é um personagem que arranca de todos os leitores questionamentos e reflexões que poucos tem coragem de verbalizar. Mas que todos tem. Que todos escondem e nenhum se orgulha.
Sim, o sofrimento engrandece e essa é uma grande lição, mas, há outras duas coisas que o livro me mostra que me amadureceram profundamente.
A primeira e mais notável é como o amor muda as pessoas, e, ao mesmo tempo, consegue mante-las juntas pelo que elas são. A pureza, grandeza, delicadeza e força que o amor é, todas as contradições e toda a simplicidade. Todo o defeito do outro, todas as características e peculiaridades, tudo passa de barreiras pra algo que cresce o e no amor. É maravilhoso ver um homem superar o próprio desastre e constrangimento por ter se tornado um monstro apos um acidente, por causa do sentimento que uma mulher louca que afirma ter 700 anos de idade tem por este homem. E todas as histórias de amor contadas dentro desta historia de amor são mais, muito mais do que qualquer romance pra encantar mulheres sonhadoras que eu já li na minha vida. São histórias que fazem você questionar consigo o quão grande os seus próprios sentimentos são e o que você seria capaz de faze pelas pessoas que afirma amar. Você sabe o que é realmente amar uma pessoa?
E a segunda coisa que o livro me mostra é o quão bela a dúvida pode ser. E ás vezes a dádiva de se ter a duvida transpõe a necessidade de saber a verdade por trás dela.
Alessandra Rodrigues, 10/11/2010 19:21

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