sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cinderela Chinesa

Eu li Cinderela Chinesa com a superficialidade com a qual li várias outras autobiografias que encontrei pelo meu caminho, mas tive surpresas e mais surpresas a cada página dessa pequena história.
O que mais admirei na narrativa foi o fato da autora colocar com tanta transparência a visão da criança que estava vivendo aquilo tudo, e não da mulher que hoje carrega os traumas da sua infância.
Acredito que todos nós passamos por momentos dolorosos durante a vida toda, mas a maioria de nós simplesmente subjuga os momentos mais difíceis que uma pessoa vive, que são na infância, exatamente por serem coisas de criança. Nisso a autora mais uma vez me surpreendeu, pela coragem em descamar seu passado e dar um rumo em toda a dor que ela viveu pra que ela pudesse se tornar uma pessoa muito além da magoa e do rancor. E que pessoa, preciso ressaltar! E que criança!
Na pureza com a qual uma menina enxerga aquilo que ela vivencia, ela conseguia ser mais, muito mais do que a menina renegada pelo pai e acusada pelos irmãos de ser a causa da morte da mãe. E preciso dizer que essa menina nos mostra de uma forma muito mais viva o quão importante as pequenas coisas, os mais ínfimos detalhes e mais tenras conquistas e os menores sorrisos são diante de toda a riqueza que um pai pode dar pra seu filho.
O livro traz, alem de toda a emocionante historia da pequena cinderela, muito da cultura chinesa e da história do país. Vale a pena ler, tanto para os simples amantes de livros, como eu, quanto para os curiosos que querem aprender um pouquinho sobre esse fascinante país.

Sexta Feira, 03/12/2010 08:45

A Gárgula

Pra mim não existe nada que mais me engrandeça a alma e o espírito quanto ler um livro, e "A Gárgula" apesar de um romance não muito conhecido me revelou coisas que jamais conheci antes na literatura.
Sempre afirmei que o sofrimento engrandece o espírito, mas viver as experiências junto com narrador do livro, ser o narrador da historia me fez sentir o que o sofrimento vivido proporciona como crescimento a uma alma descrente.
Afirmo com tanta veemência que vivi a historia com o narrador porque Andrew Davidson, o escritor, brilhantemente não dá identidade ao narrador. Ele tem historia, tem carreira e vida, não convencionais, claro, mas a tem como qualquer outra pessoa que tem sua própria não-convencionalidade no histórico. Porém ele não tem nome.
Não é um personagem comum com o qual qualquer pessoa pode identificar aspectos impessoais da própria vida, mas é um personagem que arranca de todos os leitores questionamentos e reflexões que poucos tem coragem de verbalizar. Mas que todos tem. Que todos escondem e nenhum se orgulha.
Sim, o sofrimento engrandece e essa é uma grande lição, mas, há outras duas coisas que o livro me mostra que me amadureceram profundamente.
A primeira e mais notável é como o amor muda as pessoas, e, ao mesmo tempo, consegue mante-las juntas pelo que elas são. A pureza, grandeza, delicadeza e força que o amor é, todas as contradições e toda a simplicidade. Todo o defeito do outro, todas as características e peculiaridades, tudo passa de barreiras pra algo que cresce o e no amor. É maravilhoso ver um homem superar o próprio desastre e constrangimento por ter se tornado um monstro apos um acidente, por causa do sentimento que uma mulher louca que afirma ter 700 anos de idade tem por este homem. E todas as histórias de amor contadas dentro desta historia de amor são mais, muito mais do que qualquer romance pra encantar mulheres sonhadoras que eu já li na minha vida. São histórias que fazem você questionar consigo o quão grande os seus próprios sentimentos são e o que você seria capaz de faze pelas pessoas que afirma amar. Você sabe o que é realmente amar uma pessoa?
E a segunda coisa que o livro me mostra é o quão bela a dúvida pode ser. E ás vezes a dádiva de se ter a duvida transpõe  a necessidade de saber a verdade por trás dela.

Alessandra Rodrigues, 10/11/2010 19:21