Eu li Cinderela Chinesa com a superficialidade com a qual li várias outras autobiografias que encontrei pelo meu caminho, mas tive surpresas e mais surpresas a cada página dessa pequena história.
O que mais admirei na narrativa foi o fato da autora colocar com tanta transparência a visão da criança que estava vivendo aquilo tudo, e não da mulher que hoje carrega os traumas da sua infância.
Acredito que todos nós passamos por momentos dolorosos durante a vida toda, mas a maioria de nós simplesmente subjuga os momentos mais difíceis que uma pessoa vive, que são na infância, exatamente por serem coisas de criança. Nisso a autora mais uma vez me surpreendeu, pela coragem em descamar seu passado e dar um rumo em toda a dor que ela viveu pra que ela pudesse se tornar uma pessoa muito além da magoa e do rancor. E que pessoa, preciso ressaltar! E que criança!
Na pureza com a qual uma menina enxerga aquilo que ela vivencia, ela conseguia ser mais, muito mais do que a menina renegada pelo pai e acusada pelos irmãos de ser a causa da morte da mãe. E preciso dizer que essa menina nos mostra de uma forma muito mais viva o quão importante as pequenas coisas, os mais ínfimos detalhes e mais tenras conquistas e os menores sorrisos são diante de toda a riqueza que um pai pode dar pra seu filho.
O livro traz, alem de toda a emocionante historia da pequena cinderela, muito da cultura chinesa e da história do país. Vale a pena ler, tanto para os simples amantes de livros, como eu, quanto para os curiosos que querem aprender um pouquinho sobre esse fascinante país.
Sexta Feira, 03/12/2010 08:45

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